Tempestivas Guaramiranga

TEMPESTIVAS

A raia, o prazo e a tempestade



Cecília Souza
Sem título, 2025
Acrílica sobre tela
20 X 30 cm


Há lugares onde o tempo não passa: ele se dobra, desdobra. Guaramiranga é um desses pontos de inflexão — onde a serra respira em ciclos próprios, onde a neblina chega sem aviso, onde a umidade altera superfícies, onde o clima é sempre uma negociação. É nesse território de instabilidades que surge Tempestivas, uma mostra que entende os tempos. A linha, a raia, a tensão são entendidas em sua complexidade de versão, inversão e circularidade.



Dan Pelegrin
Senhora Tempestade, 2024
Óleo sobre tela
80 X 60 cm


O termo “tempestivas” carrega a urgência dos prazos, os gestos feitos porque precisam ser feitos. Mas, ao mesmo tempo, convoca a tempestuosidade: aquilo que vem da raiz, se forma no ar, que se condensa e desaba em maior amplitude. A exposição se faz dessas observações e vivências — o que se precipita, o que se adianta, o que circula, o que se acumula em gestos e se desdobra em amplitude.




Felipe Iése
Sem título, 2025
Acrílica sobre tela.
80 X 40 cm


As obras reunidas aqui, produzidas entre 2024 e 2026, compartilham essas condições. São trabalhos que parecem ter sido atravessados pelo clima/tempo — quebrando as divisões do que é interno ou externo, ou indo além — trabalhos de esperas e de urgências. A expressão de Cecília Souza, a densidade de Dan Pelegrin, as impressões de Hécida Mayunne e Iza Daltro, as rajadas de Júlia Gondim e Lucas Rabelo, a organicidade terrosa de Morgana Ceballos, a vibração cromática de Maiara Capistrano, a torção inventiva de Mig, a paisagem condensada de Felipe Iése e o trabalho com intensidade emotiva de Gabi Motta: todos operam em regimes de espera e urgência, sensibilidades que cavalgam em trovões e brumas.



Gabi Motta
Adhara e o abismo cósmico, 2025
Óleo sobre tela
70 x 50 cm


Há, nessas obras, tipos de tempo não cronológicos — são também atmosféricos, circulares. Tempos que se anunciam por sinais: manchas que se adensam, cores que se chocam, papéis que absorvem, tecidos que respiram. Tempos que se formam do fundo da terra e em nuvens.




Hécida Mayunne
sem título, 2026
Laser print, 30 X 40 cm


Decisões, entregas. Talvez seja isso que une artistas tão distintos: a consciência de que criar é sempre lidar com tensões e relaxamentos — internos, externos, climáticos, afetivos, materiais. Cada trabalho registra diálogos: o instante em que os gestos encontram limites, em que as materialidades se efetivam, em que os tempos definem.



Iza Daltro
Parasols de Montpellier, 2026
Laser print, 30 X 40 cm


Tempestivas, portanto, fala sobre os tempos e as tempestuosidades — diz da terra em relação as instabilidades que retornam a terra, traz métodos de urgências e de calmarias. Em Guaramiranga, onde os céus se transformam a cada hora, essas obras encontram seu habitat natural: lugares onde os tempos podem ser.

Stum Coletivo




Júlia Gondim
Paquera, 2026
Acrílica sobre papel
42 X 29,7 cm



Lucas Rabelo
Calmaria, 2026
Acrílica sobre folha de papel artesanal
40 X 50 cm



Maiara Capistrano
Animais Guardiões, 2025
Acrílica sobre tela
40 X 40 cm



Mell
Sem título, 2026
Aquarela sobre papel
29,7 X 21 cm



Mig
Consciente, 2025
Acrílisca sobre tela 
36 X 44 cm



Morgana Ceballos
Encubar, absorver e enraizar, 2025
Tinta de solo sobre tecido de algodão cru
40 X 50 cm

Ficha Técnica:
Artistas: Cecília Souza, Dan Pelegrin, Felipe Iése, Gabi Motta, Hécida Mayunne, Iza Daltro, Júlia Gondim, Lucas Rabelo, Maiara Capistrano, Mell, Mig, Morgana Ceballos
Título: Tempestivas Guaramiranga
Planejamento - Dan Pelegrin 
Design gráfico: Lucas Rabelo
Expografia e montagem: Dan Pelegrin
Comunicação: Coletivo Stum e Casa Absurda


Apoio:



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Projeto Ateliê

Pavilhão 20 Anos

Mostra Stum